PADREADOR UMA ESCOLHA

(Texto escrito por Thelma Gray de Dog World

 

Escolher um macho para acasalamento exige conhecimento de genética, instinto e sorte.  Só com a combinação destes elementos conseguiremos chegar à realização de nosso objetivo máximo, que é a criação de um Campeão.   Muito se tem discutido sobre a ajuda efetiva que os conhecimentos de genética podem trazer a quem se dedica à criação de Cães.

Centenas de criadores que não sabem a diferença entre um gene e um cromossoma conseguem produzir, sistematicamente, animais de primeira classe.   Enquanto isso, os mais competentes e eruditos estudantes de Galton e Mendel, entre outros, aplicam seus conhecimentos e não obtém resultados compensadores.

O mais provável é que sejam necessários vários  “ingredientes”  para garantir o sucesso na criação; digo provável, porque não acredito em sucesso garantido.  Há sempre falhas genéticas que tendo se manifestado em gerações anteriores, podem voltar a se manifestar em gerações futuras.  Por este motivo os Cães mais fracos de uma ninhada nunca devem ser destinados a reprodução, eles podem ser muito bem aproveitados como animais de estimação, enquanto os melhores  e mais robustos exemplares da ninhada serão reservados para a  continuação da linhagem.

Somente depois de estarmos certos de que um animal é realmente saudável, forte e bem formado é que devemos dar atenção a outros critérios, tais como a qualidade, o movimento e o caráter. Um Cão ou uma cadela nervoso ou tímido não servem para o nosso objetivo.  Um temperamento fraco, embora possa ser melhorado pelo meio ambiente adequado e por um treinamento cuidadoso,  é fundamentalmente indesejável e com fortes possibilidades de transmitir esta característica à sua descendência.

Não se deve acasalar uma cadela por melhor que seja, se ela for nervosa, mesmo  com um macho calmo, calculando que a mistura dos dois possa dar filhotes equilibrados.  O resultados podem ser decepcionantes.  Alguns filhotes podem realmente herdar o temperamento do pai, mas certamente outros sairão à mãe.    Mesmo os que inicialmente se parecem mais com o pai, podem mudar de temperamento a medida que forem crescendo.

De qualquer modo, não se poderá ter muita confiança no tipo de descendência que produzirão quando chegar a época de se acasalarem.    Muitos criadores gastam tempo e dinheiro para treinar cães nervosos e conseguem fazer com que estes animais possam chegar mesmo a se apresentarem em exposições, mas o resultado não é dos mais positivos, uma vez que o cão terá créditos altos e pode até representar uma ameaça  para as futuras  gerações se chegar a reproduzir. 

É difícil definir exatamente o que é um defeito, pois segundo a raça, o que num animal é considerado defeito, em outro pode ser qualidade de acordo com as características especificadas.  Temos que estudar profunda que nos interessa e conhecer até os mais obscuros padrões para formarmos uma imagem do cão ideal.     Esta imagem pode ter sido formada através da observação dos livros e revistas especializadas ilustrados, ou também pela observação dos campeões nas exposições.

Logo constatamos que os animais perfeitos são raros, alguns especialistas chegam mesmo a dizer que não existe um cão perfeito, que mesmo os melhores tem muitas falhas.  Não concordo muito com isso, temos visto cães tão maravilhosos,  nas mais variadas raças, que não acredito que pudessem possuir mais de um defeito.  Mas como é muito raro conseguir um animal desses, o que temos a fazer é escolher para a nossa criação parceiros que venham a corrigir defeitos que nossos cães já possuam sem acrescentar novos, naturalmente.

Depois do nascimento dos filhotes é indispensável um treinamento adequado, sendo todo o trabalho e as garantias de que nos cercamos terão sido nulos, pois eles não desenvolverão, como poderiam, todas as suas potencialidades.   Além de tudo isso devemos contar com o fator sorte e com a nossa “boa mão”, assim como as plantas, os animais também sentem quem os trata.