FALANDO DE DOBERMANN

(Texto escrito pela criadora e juíza Suzanne Blum)
O Dobermann foi feito “ no sentindo da palavra” pelo homem. O primeiro a se dedicar a essa raça foi Luís Karl Dobermann, coletor de impostos e queria um cão muito bravo para acompanhá-lo em suas visitas de casa em casa para receber tributos. Isto aconteceu mais ou menos em 1880,quando Luis Dobermann cruzou, naquela época, cães existentes na sua vizinhança de Apolda, o local onde vivia. Os cães que ele criara, levaram então seu nome “ os cães Dobermann” e foram procurados por muitos interessados,sempre pela sua agressividade contra estranhos e a lealdade que demonstravam para com o dono. Depois de Luís Dobermann, um outro apaixonado de nome Otto Goeller transformou estes cães de raça indefinida no alvo dos nossos dobermanns de hoje.
É quase certo que o amigo rottweiller,deixado na Alemanha pelos romanos 2000 anos atrás,tenha sido utilizado para que os dobermanns surgissem bem como o antigo pincher alemão, hoje extinto;o antigo pastor alemão,também extinto e o weimaraner, do qual, vem provavelmente as cores azul e isabella. Estas raças são mais ou menos suposições,pois naquela época não se guardava relatórios ou qualquer documento a respeito.Mais tarde soube-se de acasalamentos comprovados com o Manchester Terrier, com vistas a melhorar as cabeças que eram muito grosseiras,as manchas, a cor dos olhos e a textura do pelo. O Manchester Terrier começou a ser usado no começo do século e isto durante mais ou menos 6 anos, o que contribuiu para o efetivo desenvolvimento da raça.
Entre 1900 a 1908,um Greyhound preto com manchas brancas no peito foi usado para refinamento e rapidez.Infelizmente este acasalamento foi negativo para o temperamento e isto deixou traços que se observa até os dias e hoje.
De todos esses cruzamentos vem a célula inicial da raça Dobermann atual.Mesmo os antigos criadores ficaram surpresos com os resultados obtidos em tão pouco tempo, e pessoalmente ainda me surpreendo com a homogeneidade de uma ninhada de Dobermanns.
E, agora vamos falar de criação: A força de um criador está concentrada nas fêmeas. O gasto e trabalho em manter as fêmeas de melhor qualidade e de qualidade inferior é o mesmo. Aquele que visa criar bem,não deve nunca construir uma criação em cima de fêmeas medíocres ou defeituosas, por mais que se goste delas. O verdadeiro criador deveria ter a coragem de se desfazer de qualquer fêmea que não sirva como reprodutora e doá-la a uma família como “ pet” onde poderá ter uma vida feliz.
Para a escolha de um reprodutor a regra deveria ser; “ o melhor e apenas bom”. Esta regra só poderia ser quebrada no caso de um reprodutor de uma boa linha de sangue, mesmo ele não sendo uma glória, mas dando “ excelentes produtos” e isto que dizer excelentes mesmo, não apenas bons ou mais ou menos.
O criador que tem uma boa fêmea, mas que gostaria de melhorar ainda mais seus descendentes deve procurar saber pelo seu pedigree se o pai ou a mãe foi melhor ainda do que ela próprio. Se foi o pai, o certo é procurar um macho, filho deste pai com outra excelente fêmea e acasalar meio irmãos. Dessa forma o criador poderá fixar o tipo do pai que estará desta maneira nas duas linhas de sangue. O mesmo procedimento deve ser adotado caso caso a mãe da fêmea seja melhor. Neste caso, ele terá de procurar um macho descendente da linha de sangue da mãe. O certo é escolher umas das linhas de sangue. Jamais trabalhar ao mesmo tempo com as duas.
O criador inteligente que usa a co-sanguinidade para fixar um tipo, tem muita chance de sucesso do que aquele que vai atrás de títulos de campeões.Acasalamento sem parentesco é como um tiro no escuro ou ganhar na loteria.Mas, se na sua linha de sangue falta alguma coisa que você queira introduzir, você sempre poderá procurar um reprodutor de fora que tenha exatamente o que você quer, e usá-lo mas depois terá de continuar na sua própria linha original.
Acasalar unicamente em função do pedigree é errado. Tanto o macho como a fêmea devem ser julgados severamente pelo próprio criador, pois ambos podem ter o mesmo defeito, já que cães perfeitos não exitem.Neste caso, este defeito se firmará e o criador irá para trás ao invés de progredir, pois se leva gerações para tirar defeitos já fixados. Um criador que quer, por exemplo, cabeças mais longas,deve olhar o resto também, pois poderá conseguir cabeças mais longas, mas por vezes também dorsos mais longos. A mesma coisa pode acontecer a ossatura e tornar-se grosseiro. O bom criador precisa procurar harmonia e balanço e ,ainda da raça para nunca se desviar e saber o que realmente ele quer. Só assim e com adequada seleção, o criador poderá atingir seu ideal. No seu programa de criação, o bom criador também não deve deixar de lado os principais fatores de sobrevivência de uma raça, tais como: fertilidade,facilidade de dar cria,instinto maternal,saúde e boa movimentação.Defeitos hereditários devem ser estritamente evitados.
As qualidades que deveriam ter prioridades para o bom criador são: tipo,substância,balanceamento- uma aparência geral harmoniosa.
Uma outra regra é não repetir acasalamentos por melhor que tenha sido o primeiro.Para que servem irmãos e irmãs de ninhadas que não devem acasalar entre si? É muito melhor procurar para o segundo,terceiros e outros acasalamentos, machos dentro da mesma linha de sangue, mas sem ser irmãos de pai e mãe.Pode acontecer que criadores, por sorte, ou qualquer outro fator,consigam animais de primeira qualidade. O criador inteligente não se deixará nunca iludir por isto e sempre continuará a estudar pedigrees,perderá horas nisto e examinará com os olhos mais críticos possíveis o seu próprio plantel e o de outros criadores, a fim de descobrir se lá tem alguma coisa que ele podem usar.
Criar cães de ponta é um processo longo e demorado.Uma coisa o bom criador jamais deve fazer: Ter cegueira de canil e enganar a si próprio pensando que seu plantel é o melhor,unicamente porque é dele.
Isto é o facínio do verdadeiro criador......